quarta-feira, 27 de agosto de 2008

;passaporte para a liberdade.


Você sempre me diz que tudo depende unicamente de mim, que a decisão me pertence, e que porém, eu nunca sou capaz de abandonar os planos e agir de qualquer forma, simplesmente arriscar, escolher por você ou por mim.
E eu já não consigo fugir de toda a minha realidade, onde os meus planos funcionam como uma válvula de escape, algo como o intervalo entre meu medo e as consequências de minhas atitudes.
Nem ao menos sei se um amor cabe nos meus sonhos,você sempre me diz pra eu por os pés no chão, o caso não seria você se deixar levar pelas emoções?
Você tem corpo de homem, cabeça de menino, não exatamente menino sonhador, mas menino infantil, sem nenhum plano,que vai aonde o destino soprar, a favor do vento.
Nada em você se encaixa em mim, não existe uma mínima combinação entre sua ausência de sonhos, e o meu mundo rodeado deles. Algo que só existe para me provar que o meu passaporte para a liberdade se localiza onde você não exista.



r Mariana Dandara & Ysadora Gellert.

sábado, 23 de agosto de 2008

;triz.

Eu quase consegui te esquecer por completo. Quase consegui manter minha felicidade intacta novamente. Quase consegui esquecer de mim por um segundo, para ao menos assim, não me lembrar de você. Quase consegui me apaixonar novamente, sem lembrar o teu gosto. Quase consegui me afastar por inteiro. Quase consegui me livrar, escolher minha própria prisão. E eu quase morro de amor novamente, só em pensar que você quase sumiu da minha vida por um momento e que depois disso, tudo me conspira contra mim. Os meus 'quases' são quase imperceptíveis, tornando tudo mais difícil, menos a lágrima que escorre sobre minhas bochechas rosadas com tanta facilidade.


r Mariana Dandara & Letícia S.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

;ponto de partida de uma lágrima congênita.

Era madrugada, seus pensamentos substituíram seu sono, e tudo se reverteu em recordações.As fotografias no mural buscavam momentos perdidos em sua memória e os mostrava como um filme, cujo final é inexistente.
Sua razão e seu coração discordavam em absolutamente tudo, decisões precipitadas sempre chegavam sem que ela pudesse prever ou ao menos impedir. Suas emoções a enganavam cada vez mais, permanentemente mutável.
Ela estava de volta ao ponto zero, no início de todo aquele tormento rotineiro. A luz do sol não ultrapassava mais suas cortinas verdes, as paredes de seu quarto se mostravam manchadas como a ferida que havia dentro dela.
Nada nunca era como ontem, a cada segundo tudo se modificava, cada fragmento que a constituía negava suas necessidades e vontades, mudando seu rumo, fazendo-a se perder, até não ser mais capaz de se reconhecer.



r Mariana Dandara & Letícia S.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

;meu passado mais presente.



Os abraços, os sorrisos, os escândalos, a felicidade. Os dias se passavam, e aos poucos vocês me ensinaram o sentido de cada uma dessas palavras, me mostrando como o presente é capaz de em uma aparente fração de segundos se tornar passado, me fazendo notar que o tempo passa em uma aceleração incontrolável, nos levando o que nos pertencia, restando apenas as recordações.


r Mariana Dandara.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

;me deixa aqui e solta a minha mão.

Algo sempre me despertava uma esperança, sempre te buscava aonde quer que você estivesse e te colocava aqui, dentro de mim. Algo que me trouxe dúvidas intermináveis sobre a forma como eu vivia, ou parava de viver, por você. Ao fechar os olhos, era você quem habitava minha mente, e quando a noite chegava,era você quem dominava todos os meus sonhos sem pedir permissão. E a cada dia que se passava eu te recriava. Para que assim, as palavras que me vinham aos ouvidos nas ruas por onde eu andava, não destruíssem a imagem que a cada amanhecer eu fazia de você. Suas imperfeições foram se tornando cada vez mais perfeitas, e enxergar a realidade era algo improvável, tudo que se enxergava era o interno, o vazio, a ilusão.
Nem sempre quando eu sorri foi sério, e você aos poucos foi me ensinando o real sentindo disso tudo. Era você o motivo do meu travesseiro molhado por minhas lágrimas, foi por você que aos poucos fui conhecendo o sabor amargo de um dia sem cor, de sorrisos fingidos!
Minha memória sempre teimou em me mostrar os momentos em que ‘nós’ existíamos, aqueles que as noites de insônia me ensinaram a lembrar com menor freqüência. Aos poucos, aceitei a condição de que pouco em você era realmente seu, e o resto não te pertencia, era apenas parte da minha reconstrução diária.


r Mariana Dandara.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

;duas doses é o limite.

Sempre estive acostumada com a quantidade de confusão que existe em mim, mas ultimamente a dose tem aumentado de maneira assustadora. Os meus sentimentos mudaram de lugar, foram para onde eu desconheço, estão, talvez, perdidos dentro de mim. E a tentativa de encontrar uma solução, de unir as peças do meu quebra-cabeça, é em vão. Não existe nada que me faça enxergar onde eu me perdi, em que lugar eu me deixei, onde eu fui parar. E cada dia que se passa, é mais um dia desperdiçado, é mais uma tentativa que sempre foi planejada, porém nunca passou disso, nunca deixou de ser um plano.
E é sempre assim, meu coração e minha razão jamais entrarão em acordo. O que o meu coração implora, minha razão condena. E na dúvida, seguir o coração nem sempre foi tão bom assim. Penso, faço, volto atrás. Conseqüências, na maioria das vezes desagradáveis, me fazem perceber que meu maior medo é sentir medo. Medo de enganar, de confundir, de querer e já não mais querer, de sumir, de te perder para sempre e me perder por um tempo considerável.


r Mariana Dandara.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

;ponto e vírgula.

São quatro horas da tarde, e meu celular acaba de tocar. Nunca imaginei que falar com você pudesse me trazer tanta felicidade. Alguma coisa dentro de mim, me diz que você ainda voltará a me fazer sorrir, assim como você sempre diz querer fazer.
Me confundo, e olho para os lados com um medo que toma conta de todo o meu ser sempre que penso em você. Medo de permitir que a felicidade me encontre, para depois jogar tudo para o alto. Medo de olhar para você, e saber que o sentimento que eu tanto pensava sentir, não passava de imaginação. Medo de te magoar novamente, medo de te perder para sempre.
Como a Tati Bernardi disse em um dos seus textos, “porque mesmo sabendo que eu não amava você, você continuava querendo apenas me olhar” Não com essas palavras, não completamente assim, era eu quem te observava, porém, sem te amar. E você, com seu jeito tímido, me pedindo que eu te olhasse escondidinho, me amando tanto.
Deixar de ser eu, e passar a ser ‘nós’ era algo que me decepcionava extremamente. Saber que o amor existia, porém não era retribuído era sufocante. Estar com você dessa forma, era algo que ia me matando aos poucos. Então chegou, enfim, o dia que, de forma egoísta, transformei nossas vírgulas em um possível ponto final, um ponto final para o meu sofrimento e um parágrafo para o seu.
Hoje, estando ao seu lado, construindo uma amizade, conhecendo mais de você, para descobrir um pouco sobre mim, me perturbo com o passado que não pára de passar como um filme em minha cabeça, e me preocupo com o futuro, tão imprevisível. Não existe uma única parte de mim que reconheça o fim de tudo isso, todos meus sentidos apenas me fazem perceber que ter você ao meu lado, é o que me basta. Me permitem saber que depois que eu te encontrei, meu mundo virou de pernas para o ar. E mesmo trazendo comigo a absoluta certeza de que não é paixão, amor ou qualquer um de seus derivados, de alguma forma você me completa.


r Mariana Dandara.