quinta-feira, 2 de outubro de 2008

diário;

Ontem passei o dia mascando um silêncio, despindo sorrisos, comendo alguns livros, tragando caminhões, paquerando um sofá, assistindo um céu roxo, cozinhando meus amigos, parindo um suspiro, compondo um telefonema, cutucando o futuro, trabalhando um repouso, sonegando paixões, presidindo formigas, transando com músicas, convencendo meus cabelos, dançando com o chão, pavimentando o ar, aconselhando ondas, vingando as calças apertadas, saboreando o leite derramado, cagando uma fofoca, arquitetando meus sapatos, fugindo do rei, convidando as idéias e celebrando as luzes da rua.
Mas eis que hoje, de tanto mascar, o meu silêncio perdeu o gosto e eu resolvi despir as calças apertadas, parir uma luz, celebrar meus amigos, vingar meu cabelo, dançar num céu roxo (e assistir), presidir o futuro, compor meu próprio chão, aconselhar os livros, arquitetar as ondas, paquerar o rei, pavimentar o repouso, trabalhar as idéias, tragar o ar, saborear paixões, transar os sorrisos, cutucar as formigas, convencer os caminhões, sonegar as fofocas, cagar para os telefonemas, comer um suspiro com leite, pisar no sofá com meus sapatos, convidar as músicas, cozinhar tudo isso e depois fugir.


Luciana Elaiuy.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

sobre o seu desconhecimento da minha razão;

Existiam vestígios de um passado oculto onde eles estavam. Algo preservado em segredo, em uma espécie de caixa onde se guardam cartas, daquelas localizadas do lado de dentro, algo interno que apenas pertencia a ela.
- E eu ainda não fui capaz de compreender o porquê do nosso ponto final. – Ele sempre repetia.
- Existem certas verdades que meus lábios ainda não conseguem pronunciar, coisas que eu não sei como dizer olhando para você, talvez seja só questão de tempo. Tudo muda, não é?
- Pode ser.
Ele não entendia. Ela transformava suas palavras em enigmas, tentando fazer com que ele descobrisse tudo o que ela sempre deixava para contar no amanhã, ou quem sabe nunca. E de certa forma, ela acreditava em uma desconfiança que aparentemente ele mantinha.
Completamente iguais e nitidamente diferentes. Uma junção que sempre prometeu um encaixe perfeito, se não fosse a caixa escondida, o segredo guardado, o medo que a acompanhava. Fatores que por muito tempo ele se esforçou para destruir; visto que o parágrafo deles, que por vontade dela tornou-se um ponto final, não se transformava em pontos e vírgulas para reiniciar o que um dia começou.
Meses se passaram, e o distanciamento que surgiu entre eles, chegou ao fim. Iniciando novamente todos aqueles questionamentos. De alguma forma, já era capaz de presenciar em seus olhos, que ela sabia que o dia de abrir a caixa que guardava seus segredos se aproximava.
Pedidos negados, vontades escondidas, confusão nítida. Foi assim que se determinou por um tempo considerável as respostas dela, que por vezes demonstrava indiferença a ele, outras uma saudade incontrolável, tudo sempre acompanhado de uma dose de confusão.
Acabou, não existiam mais perguntas por parte dele, não havia mais insistência, não existia fragmento algum do que um dia ela pensou que não iria sentir falta. E foi aí que tudo o que era guardado, aparentemente seria completamente exposto.
- Lembra? Você insistia e sempre se importou em descobrir o que eu teimava em não revelar.
- É, você nunca esteve pronta para isso.
- Ainda não estou!
- Então porque me procurou?
- Apenas para não te deixar esquecer que independentemente do que eu não consiga dizer, existem palavras que sempre fogem de mim para chegar até você.
- Acredito que as desconheço.
- Então apenas as esqueceu, pois como sua insistência, eu sempre as repeti para você.
- Me faça lembrar então!
- Nada mudou, mas eu ainda amo você.


Mariana Dandara;

terça-feira, 23 de setembro de 2008

ruas vazias de você;


Gosto dessa sensação. De alguma forma o nosso fim me trouxe algo de bom. Já não reconheço todos aqueles sintomas de saudades que me consumiam. Nem mesmo as manhãs, que nunca foram as melhores, após sonhos meus onde você teimava em permanecer.
E então você surgia, com aquele seu jeito de encontrar minhas fraquezas para que eu voltasse a reconhecê-las. Afinal, você sempre soube onde elas estiveram, mesmo me conhecendo tão pouco. Suas afirmações me fizeram crer em mentiras, suas mentiras. Algo que deveria pertencer somente a você, mas que mesmo assim nunca foram mantidas contigo, passando a ser tão minhas quanto suas.
Então eu parei de esperar que, num desvio do destino, você me dissesse qualquer coisa que me fizesse entender, pois eu não entendia. Entender todos os teus motivos que te faziam me pedir para te esperar, e todos os meus motivos que faziam com que eu te esperasse.
Eu já posso enxergar onde foi que eu errei, e enxergo seus erros também! Acontece que um dia minha vontade chegou ao fim, aquela de te explicar que você errava, me magoava, mas eu te amava. E que por mais que eu acreditasse que era um sentimento recíproco, você sempre foi ocupado demais para demonstrá-lo. E então, eu apenas fiz o que você tanto me mostrou, apenas segui o caminho que você me ensinou a seguir. E não vou voltar atrás, nem ao menos parar em qualquer esquina para te pedir para voltar.


Mariana Dandara!


“ por você parei meu tempo, e por mim te deixo no passado ”


sábado, 20 de setembro de 2008

já não importa mais!

O coração contra a razão não me importa, a confusão que por vezes é criada por mim não me importa, o julgamento dos outros quanto a isso não me importa. E você, me importa menos ainda!
Não existe querer manter esperanças, acreditar em palavras que o vento leva, ou até mesmo criar algo para crer, algo inexistente; te usar como uma desculpa mal contada para se ganhar tempo, para pensar mais, questionar mais, e por conseqüência, se perder mais. Tento chegar a conclusão sobre o que eu vi em você, e no fim, acredito que nada. Era apenas uma reconstrução diária, eu te moldava, eu me iludia.
Toda aquela parte sua que um dia esteve em mim, chegou ao fim. Como tudo que um dia começa acaba, você acabou para mim! Não que eu tenha escolhido assim, se alguém transformou meus sentimentos, esse alguém foi você. E se existe culpa, quem a merece sou eu, fui eu quem errei em um dia ter permitido que você fosse mais do que um desconhecido para mim!

'Algo em nós morreu e eu não posso esconder'


Mariana Dandara;

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

o amanhã pode nunca chegar;

Nos últimos dias, questionamentos me invadem sem ao menos bater a porta para perguntar se os aceito. Existem dúvidas interligadas em minha mente, e certezas que não param de me enlouquecer. Porque praticamos muitas vezes o incorreto, mesmo tendo total consciencia que as consequencias não serão as melhores? Porque esperamos para mudar ou bagunçar a vida de alguém amanhã, se podemos o fazer hoje?
É sempre assim, como se existisse uma força maior, que por vezes me fizesse crer que o melhor é deixar para depois, planejar mais, para não cometer erros maiores, ou simplesmente não comete-los. Mas por fim, chego a conclusão, de que o medo de errar nos transforma em erros.
Não demonstramos o que sentimos, por medo de perder o que nunca possuímos. Não retiramos nossos planos do papel, por acreditar que no próximo amanhecer seu aperfeiçoamento nos seja útil. Não nos desligamos do passado, por medo de viver o presente e imaginar o futuro, tão imprevisível.
É necessário perder tempo com idiotices, rir de você e dos outros, preservar o brilho do olhar de uma criança intensamente vivo em nós mesmos. Começar a valorizar a simplicidade, pois é ela que traz com o vento aquilo que tanto buscamos e julgamos ser difícil: a felicidade. Aquela que não possui absolutamente nenhuma fórmula para ser encontrada, ela se mantém escondida em lugares por vezes tão próximos, outras tão distantes: dentro de nós.


Mariana Dandara;

terça-feira, 16 de setembro de 2008

a letra permanente;

Era fim de ano, e nada era capaz de fazer notar que algo poderia acontecer para me provar que era alí exatamente onde eu deveria estar, até você inverter as condições e consequencias, virando meu mundo de pernas para o ar.
Você me fez ver o que meus olhos, inutilmente, eram incapazes de enxergar, me mostrando o que existia além do que eu reconhecia. Porém, como tudo que houve após você, nosso passado ocorreu de forma temporária. Curto o suficiente para gerar minhas ilusões, baseadas em meu futuro incerto.
Decidi seguir sem ter exatamente aonde ir, fingir que nunca te conheci, utilizando a indiferença como minha valvula de escape. Prometi não permitir que detalhes me fizessem 'ver' algo de você em lugares improváveis, tal como a letra inicial do seu nome que se encaixava em qualquer palavra, parecendo me perseguir.
O tempo passou, e o prometido não ocorreu. E esse possível rompimento de uma promessa que fiz a mim mesma, surge para me mostrar que aquele noite que eu te conheci, acredito que jamais irei deletar de mim.


Mariana Dandara;

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

;um novo começo.

Era provavelmente o nosso último dia, pela ultima vez permitir que minhas mãos possuíssem o teu perfume. Seus braços me faziam girar, com os pés suspensos do chão, eliminando qualquer vestígio de tristeza que a nossa despedida me causava.
Você foi meus olhos quando eu não era capaz de enxergar, impedindo o fim dos meus sorrisos, sempre determinado pelo inicio de todas as lágrimas. E era a sua presença o que me confortava, era em seu abraço que eu encontrava a minha paz.
Todas as oportunidades para repetir a felicidade que você me proporcionava foram roubadas de mim sem que eu pudesse evitar, sem que pudessemos praticar alguma mudança favorável a nós. Me permitindo guardar apenas um pedaço teu, um fragmento do pouco que vivemos, as recordações perdidas em minha mente desse passado tão presente.

" a amizade é um amor que nunca morre .. "
Mariana Dandara;