quarta-feira, 30 de julho de 2008

;sobre a metamorfose da sua felicidade.

Faz algum tempo, mas eu ainda me lembro. Enquanto teus dedos acariciavam meus cabelos, palavras saiam de sua boca, de forma a reclamar meu comportamento explosivo e a maneira como eu agia sem pensar. E a cada segundo ao meu lado, suas atitudes revelavam uma incontrolável vontade de me mudar, de me tornar algo que eu não era, que eu nunca soube ser.
Os dias se passavam, me fazendo buscar dentro de mim respostas para as minhas perguntas, uma solução para esse seu problema de querer algo além do que eu era, do que eu sempre fui. A sua forma de não me aceitar, me fez persistir na mania de a cada dia mudar, a cada dia ser outro alguém, uma nova forma, para que assim, você gostasse de mim. E sempre quando você se cansava, eu mudava. Nessas sucessivas mudanças, fui me perdendo aos poucos. Fui me distanciando de quem um dia eu fui, e já não me reconhecia mais; me perdi por você. Então, o que passou a te incomodar foi essa metamorfose, sempre, em função de sua felicidade. Você sentia falta dos fragmentos que me tornavam quem você um dia conheceu, e assim como eu, perdeu, por ter feito de mim, uma estranha. Sua infelicidade trouxe por conseqüência seu afastamento temporário, que aos poucos, foi se tornando definitivo. Me trazendo, assim, um insuportável medo, de agora, já não ter mais por quem mudar, mas, mesmo assim, permanecer irreconhecível.

r Mariana Dandara

segunda-feira, 28 de julho de 2008

;quero você fora da minha cabeça.

Vou jogar fora as suas roupas que permaneceram jogadas sob o chão do meu quarto, me relembrando a cada amanhacer seu cheiro. Vou rasgar as fotografias, que sempre me fazem lembrar o seu sorriso e a forma como você me olhava, com ternura. Vou te riscar da minha agenda de telefones, vou te excluir da minha vida. Só pra ver se assim, eu consigo te esquecer.

r Mariana Dandara.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Sobre nós;

Me recordo perfeitamente de quando não haviam motivos para a existencia dos sorrisos, da felicidade. Me recordo como tudo era unicamente preto e branco, sem cor, sem brilho. Os sorrisos, quando surgiam, eram meramente ilusórios, forçados. E se matava a solidão, fingindo ser feliz.
E nada iria mudar, até você chegar..


r Mariana Dandara.

terça-feira, 8 de julho de 2008

;a última.

Sabe aquele medo horrível que você tem de sofrer? De perder algo que ama muito? De vomitar? De que tudo saia do seu controle? Eu torço pra que isso te aconteça, acredite, é maravilhoso. Se um passarinho azul passar na sua frente e borboletinhas amarelinhas o acompanharem, isso é realmente lindo, não porque você ganha bem, ou porque tem um apartamento cheio de almofadas te esperando, ou porque tem uma pessoa especial ao seu lado te dizendo que eles são lindos. Eles são lindos porque existem simplesmente, igual a você. Eles são lindos porque você está completamente sozinho neste mundo, mas este mundo é maravilhoso, não tenha medo. Não tenha medo de descer até o inferno e queimar como um papel cheio de regras e certezas, queime, vire cinzas, chega de querer controlar a vida, chega de querer amar, existir e desejar pelo seu ego. A vida é muito maior do que você, acredite nela, colabore com ela, tenha fé nela, faça a sua parte, mas em hipótese nenhuma sonhe que você pode simplesmente enfiá-la amassadinha dentro da sua bolsa, ela com certeza vai se vingar de você. Deixe, deixe a onda da dor passar por você, ela pode até te derrubar, te afogar um pouco, te chicotear com o sal, te assustar com tanta grandeza, mistério, profundidade e experiência, mas acredite em mim, você não vai morrer. Você vai se levantar, ainda que a praia inteira ria de você, ainda que a força tenha levado suas roupas e você esteja completamente desprotegido para a vida, nu, entregue, sem dignidade. Ainda assim você vai se levantar e seguir em frente. Acredite no Deus que mora dentro e fora de você, acredite que, para cada vez que você diz “eu odeio”, algo ou alguém vai te odiar. Acredite que, para cada vez que você diz “eu não acredito”, algo ou alguém vai perder a fé em você. Então diga agora, bem alto, para que até aquele seu lado mais surdo e teimoso ouça, “eu amo e acredito em mim e na vida”. Siga nu, quase sem vida, quase sem vontade, sem sono, sem fome, sem desejos, mas siga, o passo que está na sua frente já carrega uma dor menor do que o anterior, aos poucos você deixará para trás essa carga horrível que você mesmo juntou e então poderá voar. Aos poucos cairá tudo e só sobrará você, e você é feliz, sua essência é feliz. Onde estava você, escondido embaixo de tantos sonhos frustrados? Você é real, não tenha medo de apenas ser e ser agora, sua felicidade não está nem no útero e nem no dia perfeito, ela está aqui e agora, o resto você inventou porque ainda não sabia que podia contar com você. A verdade é que você só pode contar com você. Amar de verdade é esquecer um pouquinho de si mesmo, se você já se esqueceu num cantinho como uma criança de rua carente por causa do amor, não se culpe, você só mostrou, ainda que seja difícil mostrar alguma coisa nesse mundo de aparências, falsidades e medos, que você tem coragem para amar, parabéns. Mas chega, se não houve troca, chega, porque amar sozinho é solitário demais, abandono demais, e você está nessa vida para evoluir, mas não para sofrer. Essa criança carente agora precisa dessa mesma coragem para ser amada e ela merece mais do que ninguém, ela é, de verdade, a única coisa que você realmente tem e terá para sempre. Por favor, está na hora de levá-la tomar banho, tomal sol e tomar sopinha de mandioquinha. Hoje eu acordei numa casa diferente, num quarto diferente, sem nenhuma muleta, sem nenhuma maquiagem, meus amigos estão ocupados, meus pais não podem sofrer por mim. Hoje eu acordei sem nada no estômago, sem nada no coracão, sem ter para onde correr, sem colo, sem peito, sem ter onde encostar, sem ter quem culpar. Hoje eu acordei sem ter quem amar, mas aí eu olhei no espelho e vi, pela primeira vez na vida, a única pessoa que pode realmente me fazer feliz.

r Tati Bernardi.

Paris, Je T'Aime!

Ele olhava a sua mulher atravessar a rua com a capa vermelha que todo ano,jurava que ia jogar fora,mas que retirava do fundo do guarda-roupa todos os anos.Ela era assim com tudo.E fora justamente isso que o atraira quando se conheceram.As mesmas roupas que ela sempre usava,a fileira de batons que não usava.a musica que cantarolava quando cozinhava bolinhos de carne,pertenciam a uma vida que agoralhe parecia estrangeira,a vida que estava planejando abandonar entre a entrada e a sobremesa.Ele se deu conta de como era estranhamente obvioescolher aquele local para abandona-la.Pois nesse lugar ele se dera conta pela primeira vez de que não a amava mais.Quando ela sorrio ele sentio uma vontade enorme de gritar "eu vou deixar voce! NÃO fique aí sorrindo". Mas se contentou em oferecer um gole de kir. Outra coisa que o irritava era que ela nunca pedia uma entrada ou uma sobremesa ,mas sempre comia as dele.E pior ele acabava pedindo as comidas que ela gostava. "Sera que eu gosto mesmo de profiteroles?" pensou ele de uma maneira austera e solene. Quando ela começou a chorar como ele jamais vira antes,logo pensou que ela sabia que ele a deixaria por Marie-Chiristinie a ardente aeromoça que ele amava a 18 meses. "pronto" ele pensou. Ela ja sabe a tempos,deveria ter desconfiado.Ainda chorando,ela pegou uns documentos na bolsa e entregou a ele.Em terminologia medica asséptica,neles lia-se um caso de estagio avançado de leucemia.Num lampejo o objetivo do almoço desapareceu e uma voz metalica e estranha começou a dizer a ele : "esteja a altura de tal situação".E foi o que ele fez. Primeiro pedio trez porções de profiteroles para viagem e mandou um torpedo a amante,pedindo que ela o esquecesse.Ele foi tão atencioso com a mulher como ela sempre desejara.Mudou os quadros de lugar.Levou-a para assistir seus filmes prediletos na sessão da tarde.Fez compras em saldos,mesmo detestando comprar.Leu "minha querida Sputnik" de Murakami ,em voz alta.Agora,mesmo as coisas mais insignificantes tinham um sabor diferente,agora que ele sabia,que seria a ultima vez que ele faria para ela.De tanto se comportar como apaixonado,ele se apaixonou por ela de novo.E quando ela morreu,em seus braços ele entrou em coma emocional.Do qual jamais se recuperou.Mesmo agora muitos anos depois,ele sente um aperto no coraçao ao ver uma mulher de capa vermelha.Que a tempos atras rezava para ser descartada,mais agora rezava para te-lá novamente!

sexta-feira, 4 de julho de 2008

;do aveso.

O que aconteceu? Eu estava em paz até você chegar. Até você vir pra confundir, pra ficar. Até você surgir como um sonho bom, porém, temporário.
Você me virou do aveso, me fez sentir falta de pedaços de mim que antes eu não sentia. Me fez perder minha própria identidade, e hoje já não sei quem sou, não me reconheço ao olhar para o espelho.

r Mariana Dandara.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

;para não sentir dor.

Para não sofrer eu vou me drogar de outros, eu vou me entupir de elogios, eu vou cheirar outras intenções. Vou encher minha cara de máscaras para não ser meu lado romântico que tanto precisa de um espaço para existir ridiculamente. Não vou permitir ser ridícula, nem uma lágrima sequer, nem um segundo de olhar perdido no horizonte, nem uma nota triste no meu ouvido. Eu sei o quanto vai ser cansativo correr da dor, o quanto vai ser falso ignorar ela sentada no meu peito. Mas vou correr até minha última esquina. Vou burlar cada desesperada súplica do meu coração para que eu pare e sofra um pouquinho, um pouquinho que seja para passar. Suor frio da corrida, sempre com sorriso duro no rosto e o medo de não ser nada daquilo que você me fez sentir que eu era. Muita maquiagem para esconder os buracos de solidão. Muita roupa bonita para esconder a falta de leveza e de certeza do meu caminho. E por que vendo tanto meu corpo e tão pouco minha alma? Porque quero ver você comprando o que realmente quer e não enganando querer para levar a promoção. Cansei das promessas de compra e das devoluções gastas do meu corpo. Cansei de expor minha alma se no fim tudo acaba mesmo. Então tá aqui ó: peitinhos, coxas, barriga e o buraco que você tanto quer. Leve de uma vez e me engane por alguns dias. Você é igual a todos os outros e todos os outros são: lixo. O amor não existe, e, se existe, não dura pra sempre. E, se não dura pra sempre, não é amor. E nada dura pra sempre. E então o amor não existe. Estou amarga com simplicidade, e isso é relaxante já que vivo cheia de complicações. A amargura é muito mais simples que a esperança. Estou triste do tamanho do buraco sem vida que você deixou em mim, uma concavidade sonhadora que ainda pulsa um desejo que ao mesmo tempo enoja. Ainda sinto você aqui dentro e toda a energia boa de vida que esta lembrança poderia gerar em mim, mas essa energia sem escape, sem válvula, sem história, essa energia inocentemente transformada em ódio, só carrega ondas que me corroem por dentro. Mas para não sentir dor eu vou jurar ao último ouvido do meu universo o quanto você é descartável. O quanto sua molecagem não permitiu nenhuma admiração de minha parte. Para não sofrer não vou permitir minha cabeça no travesseiro antes do cansaço profundo e sem cérebro. Não vou permitir admirar coisas da natureza porque talvez eu me lembre de você ao ver algo bonito. Não vou permitir silêncios porque é aí que o meu fundo transborda e a tristeza pode me tomar sem saída. Eu vou continuar deixando a minha cabeça me martelar porque toda essa confusão é ainda menos assustadora do que a calmaria da verdade. A verdade é a frieza do mundo, é a podridão dos desejos, são as mentiras que a gente inventa para os outros e acaba acreditando. A verdade é que mais cedo ou mais tarde você será traído, porque todo mundo tem medo de viver a entrega. A verdade é que ninguém se entrega porque ninguém se tem. A verdade é que não estamos aqui, estamos em algum lugar seguro vivendo nossas vidas medíocres. A verdade é que todo esse perfume é vergonha de nossa essência, todas essas marcas são vergonha do nosso corpo, todo esse charme despretensioso é vergonha de nossas fraquezas. A verdade é que nada é inteiro porque até o inteiro para ser todo precisa ter seu lado vazio. A verdade é que não dá para fugir da dor, e eu continuo correndo, correndo, correndo e não saindo do mesmo lugar.

r Tati Bernardi.