sábado, 12 de setembro de 2009

Minha instabilidade nunca foi novidade. E a cada dia que se passa, parece só piorar. Não consigo saber se a possuir é um defeito ou uma qualidade, o que não faz muita diferença, já que sei que ainda vou carregá-la comigo por muito tempo, senão para sempre.
O dia pode nascer chuvoso, mas dentro de mim faz sol. O mais bonito e mais iluminado. E toda essa cor, essa vida, são transmitidas por um sorriso, para que o meu sol contagie o tempo chuvoso de todos que estão a minha volta. Mas também existem os dias de sol, e em mim faz chuva. A mais sem cor e sem vida. E então tento esconde-la, não posso transmitir tal coisa para quem espera positividade de mim. Às vezes tudo transborda pelos olhos, sufoca, inquieta e tortura. Mas amanhã passa, sempre passa. E caso meu sol não voltar ao amanhecer, e ninguém tiver um sol dentro de si para me emprestar um pouquinho, o invento.


Mariana Dandara.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Sobre o fim do que nunca começou;

Você sabe que eu não sei sentir mais nada por você. Sabe que eu esqueci a fórmula que me fazia gostar do seu sorriso, aquele que você usava só um lado da boca para fazê-lo. Sabe que suas tentativas de me conquistar com seu joguinho barato já são inúteis para mim. Se não sabe, deveria saber.
Mas talvez isso seja erro seu. Ou meu por ter insistido por tanto tempo para que todas as coisas que hoje você deveria saber, acontecessem de forma inversa no nosso passado. Incrivelmente não me arrependo, porque fui até o fim. Diferentemente de você, que sempre deixou escapar tantas coisas e as perdeu no tempo.
Durante esses 14 meses te conheci muito mais do que você me conheceu. Afinal, você tentou, mas nunca conseguiu esconder quem você é de verdade, e também nunca fez questão alguma de me descobrir. Parece ingratidão dizer que apenas descobri seu lado negativo ou até mesmo afirmar que você não tem um positivo. Prefiro crer que é impossível alguém ter uma coisa só: ou apenas qualidades, ou apenas defeitos. Não é raiva ou qualquer sentimento ruim, admito que você me fez um bem enorme e me ensinou muita coisa. Agora eu já sei que manter uma ilusão só faz mal para o coração. Já sei que acreditar em palavras é perigoso. E que quem ilude uma vez e se diverte com isso, tem grandes chances de fazê-lo novamente. Ta bem, não foram só ensinamentos ruins. Mas minha péssima memória me impede de recordar de algo que aprendi contigo da melhor forma; você me ensinando de verdade, não eu aprendendo porque você fazia errado, eu perdoava, afinal, eu te amava.
Você nunca soube nem cuidar de você mesmo, vivia fazendo tudo por impulso, errando e persistindo no erro. Você nunca soube conquistar a confiança de sua própria família, e pediu a mim que confiasse em você. Hoje só me questiono se é possível confiar em alguém que não confia em si mesmo.
Agora só me resta uma mínima consideração, não pelo que você fez por mim, mas por tudo que eu senti por você. É, eu também não entendo como, mesmo com decepções constantes, consegui manter um sentimento, mesmo que muitíssimo pequeno, por ti. Mas quer saber? Obrigada! Espero que um dia você conheça alguém que possa te ensinar tantas coisas como você me ensinou.


Mariana Dandara.


"Obrigado
Por ter se mandado
Ter me acordado pra realidade
Das pessoas que eu já nem lembrava
Pareciam todas ter a tua cara

Obrigado
Por não ter voltado
Pra buscar as coisas que se acabaram
E também por não ter dito obrigado
Ter levado a ingratidão bem guardada"

Cazuza - Obrigado por ter se mandado.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Quando te conheci, acreditei que seria coisa passageira. Mas o que era para passar, ficou. Ficou em mim e sabe lá Deus se em você também. Nunca imaginei, muito menos esperei por isso. Vai saber, talvez eu tenha que agradecer pelo pouco que existe, ou pelo menos se esforça, tentando existir.
Pode ser só instabilidade. Amanhã passa, melhora, cura. Não é nenhuma novidade meu medo, minha insegurança. Parece bobagem, mas sem motivo algum, senti medo de perder você. Na teoria não há como perder algo ou alguém sem possuir o mesmo, talvez isso me cause algum alívio.


Mariana Dandara.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

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É só medo. Medo de que o futuro seja realmente apenas o passado de luzes acesas. E que sendo assim, tudo se repita. O problema é que eu sempre acredito e me arrisco, e na maioria das vezes é tarde demais pra me salvar. Na pior das possibilidades, aceito a condição de ter mais uma decepção em minha lista, mais uma cicatriz pra guardar.
Não sei aonde vamos. Há quem diga que o que importa não é saber pra onde se vai, o importante é apenas ir. Se de fato as coisas funcionarem seguindo essa lógica, não estamos nem somos tão errados assim.
Só espero que eu não me perca novamente, tentando me encontrar em você.


Mariana Dandara.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

“ Aprendi que amores eternos podem acabar em uma noite; que grandes amigos podem se tornar grandes inimigos; que o amor, sozinho, não tem a força que imaginei; que ouvir aos outros é o melhor remédio e o pior veneno; que a gente nunca conhece uma pessoa de verdade, afinal gastamos uma vida inteira para conhecer a nós mesmos; que os poucos amigos que te apóiam na queda, são muito mais fortes do que os muitos que te empurram; que o “nunca mais“ nunca se cumpre; que o “para sempre“ sempre acaba; que minha família com suas 1000 diferenças está sempre aqui quando eu preciso; que ainda não inventaram nada melhor do que colo de mãe desde que o mundo é mundo; que vou sempre me surpreender, seja com os outros ou comigo; que vou cair e levantar milhões de vezes... e ainda não vou ter aprendido tudo.”

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Eu sei que você existe!

"Não, você não precisa ter o abdômen do mocinho da novela, afinal eu adoro meus peitos naturais que se mexem de leve quando eu corro e desaparecem um pouco quando eu emagreço demais. Acho até que posso ficar com sua barriga pra sempre, mas já faz tempo que não acompanho nem uma semana seguida de qualquer novela.
Eu não quero que você me busque num super potente carro, eu só quero que quando você me beije, eu não deseje mais nenhuma força do universo. Estou pouco me lixando se o restaurante tem várias cifras no guia da Folha, mas gostaria muito que a gente esquecesse das mesas ao lado e risse a noite toda, eu até brindaria com água sem bolhinhas.
Sério que tem uma pousada mega-master com ofurô em cima da montanha e charretes cor-de-rosa que trazem o café da manhã? Dane-se, se você conseguir passar, nem que seja algumas horas, encantado pela gente, essa será a maior riqueza que eu posso ganhar.
Sim, a tecnologia é mesmo fantástica, só que hoje eu queria sumir com você para um lugar onde não pegue o celular, não pegue a internet, não pegue a televisão, mas que a gente, em compensação, se pegue muito.
Sim, sim, música eletrônica é demais, celebrar a vida com os amigos é genial, pular bem alto é sensacional. Mas será que a gente não pode colocar um Cartola bem baixinho na vitrola e dançar sozinhos no escuro, só hoje? Será que a gente não pode parar de adjetivar o mundo e se sentir um pouco?
Eu procuro você desde o dia em que nasci, não, eu não dependo de você nem para andar e nem para ser feliz, mas como seria bom andar e ser feliz ao seu lado.
Só que estamos com um problema: vai ser um pouco difícil a gente se conhecer porque tenho evitado sair de casa.
Eu não odeio mais as garotas em série e seus namorados em série, eu não odeio mais a sensação de que o mundo está perdido e as pessoas lutam todos os dias para se parecerem ainda mais com o perdido ao lado, se perdendo ainda mais.
Eu não odeio mais quem cuida do corpo mas esquece da alma, quem cuida do cabelo mas esquece da mente, quem cuida da superfície mas faz eco por dentro, quem coloca um peito de silicone mas esquece de dar mais uma chance ao amor.
Eu não odeio mais a galera feliz em pertencer a um mesmo barco que não vai a lugar nenhum. Eu só acho isso tudo muito triste e prefiro não ver. Eu prefiro não fazer parte da feira que compete pra ver quem tem a casca mais bonita.
Voando eu sei que você não vem, até porque eu jamais namoraria um super-homem: tenho horror a pessoas falsamente infalíveis.
Não quero um homem que sempre vence, que sempre impressiona, que sempre salva e sorri impecável em dentes brancos e músculos ressaltados por um colan com as cores da bandeira americana.
Você pode ter medo de monstrinhos imaginários e dormir com a porta trancada, pode ficar meio tristinho quando, numa festa cheia de amigos, lembrar que é sozinho no mundo, pode perguntar assustado no meio da noite “aonde você vai” mesmo sabendo que é só um xixi, pode até fazer piada com o seu medo de estar vivo, e pode, inclusive, ficar sério e quieto, de repente, por causa disso também.
Não existe Orkut, não existe Messenger, não existe celular, não existe um supercelular que é máquina fotográfica, Orkut e Messenger ao mesmo tempo. Não existe o décimo quarto andar do meu prédio com 8 seguranças lá embaixo. Não existe a balada perfeita com 456 garotas iguais e programadas para te dar um amor levemente inexistente. Não existe esperar que a vida fique mais compacta, mais veloz, mais completa e mais fácil, assim como o computador.
Existe essa coisa simples, antiga e quase esquecida pela possibilidade infinita de se distrair com as mentiras modernas do mundo. Existe o amor, mas onde ele foi parar depois de tudo isso?
Eu não tenho um portão para te esperar, como minha avó um dia esperou pelo meu avô e eles ficaram juntos por 70 anos. Talvez eu também seja engolida por esse mundo que cria tantas facilidades para a gente não sofrer. Tenho medo de que tudo seja uma mentira e de verdade sinto que é, mas ainda acordo feliz todos os dias esperando que ao menos você seja verdade."


sábado, 15 de agosto de 2009

"Ah, quer saber o que eu penso? Você aguentaria conhecer a minha verdade? Pois tome. Prove. Sinta. Eu tenho preguiça de quem não comente erros. Tenho profundo sono de quem prefere o morno. Eu gosto do risco. Dos que arriscam. Tenho admiração nata por quem segue o coração. Eu acredito nas pessoas livres. Liberdade de ser. Coragem boa de se mostrar. Dar a cara a tapa! Ser estranha, louca, chata. Eu sou assim. Tenho um milhão de defeitos. Sou volúvel. Tenho uma tpm horrível. Sou viciada em gente. Adoro ficar sozinha. Mas eu vivo para sentir. Por isso, eu te peço: me provoque. Me desafie. Me tire do sério. Me tire do tédio. Vire meu mundo ao avesso! Mas, pelo amor de Deus, me faça sentir.. Um beliscãozinho que for, me dê. Eu quero rir até a barriga doer. Chorar e ficar com cara de sapo. Este é o meu alimento: palavras para uma alma com fome. Meu coração é minha razão. Essa é a lógica que inventei pra mim."


Fernanda Mello.